XLV BARÓMETRO: Luís Ribeiro, novobanco

A análise de Luís Ribeiro, Administrador do novobanco

Executive Digest
Fevereiro 4, 2026
10:28

A análise de Luís Ribeiro, Administrador do novobanco

Os resultados deste último Barómetro suportam a percepção de um desempenho relativamente positivo da economia portuguesa em 2025 e de perspectivas moderadamente favoráveis para 2026. Estas duas ideias exigem, contudo, uma análise mais cuidada. Em 2025, o crescimento da economia portuguesa terá assentado, sobretudo, no dinamismo do consumo privado, em função do baixo desemprego e da subida do rendimento disponível, por sua vez beneficiando das decidas dos juros e de apoios orçamentais. Não há nada de errado nisto; mas é expectável que o crescimento do emprego modere e que a margem de manobra da política orçamental diminua no futuro próximo. Nesse sentido, é fundamental focar as atenções no investimento e nas exportações como motores de crescimento. É no dinamismo destes dois agregados que se poderão encontrar ganhos de produtividade e de competitividade que sustentem aumentos reais do rendimento, que não dependam de apoios pontuais da política orçamental. Em 2025, o investimento cresceu abaixo das expectativas iniciais e as exportações desaceleraram, num contexto internacional muito desafiante. A atracção do investimento (para lá do PRR) e o estímulo às exportações dependem da capacidade de se criar um ambiente económico adequado, quer a nível nacional, quer a nível europeu. Neste domínio, Portugal e a UE correm o risco de se demorarem em “lutas” do passado, atrasando-se na corrida da digitalização e automação, no acesso aos minerais críticos, no investimento em IA e na independência energética, onde os EUA e a China levam já vantagem. Uma estimativa recente do FMI referia que, dentro da UE, as barreiras invisíveis ao comércio tinham um efeito equivalente a uma tarifa de 44%. O barómetro aponta (bem) a desburocratização como uma das reformas prioritárias em Portugal. Esta e outras reformas (no domínio da justiça, da educação, da fiscalidade, etc.) que permitam libertar o potencial competitivo dos empresários e trabalhadores devem ser vistas como condições necessárias para que a economia portuguesa continue a crescer. Mas já não serão uma condição suficiente: a UE e Portugal têm já outros caminhos para recuperar no novo quadro económico global. A economia portuguesa parece ter potencial para beneficiar de novos investimentos no domínio da IA, da geração da energia necessária à IA, etc. Mas é fundamental manter as condições de atracção desse investimento.

Testemunho publicado na edição de Dezembro (nº. 237) da Executive Digest, no âmbito da XLV edição do seu Barómetro.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.